sábado, 13 de julho de 2013

O Instituto Entrelaços se orgulha de seus parceiros e colaboradores.
E com muito prazer recebe Dra. Silvana Aquino na equipe de assistência as atividades clínicas.

A Dra. Silvana Aquino é Mestre em Sexologia e Especialista em Sexualidade Humana pela Universidade Gama Filho. Especialista em Psicologia Oncológica Professora de Ensino superior da Sociedade Educacional Fluminense e Psicóloga da Unidade de Cuidados Paliativos do INCA.

Agora, além de ministrar cursos no Instituto Entrelaços, ela também realizara atendimentos às segundas e sextas.

Seja bem vinda!

Instituto Entrelaços
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(21)2530-4137 e (21)7954-3131

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A Família Enlutada : Sobrevivendo a perda de um filho





A Família Enlutada : Sobrevivendo a perda de um filho
Erika Pallottino



Uma das perdas mais difíceis, que aciona níveis de sofrimento nunca antes imaginados e provoca profundo desequilíbrio no sistema familiar, podendo provocar reações de luto complicado, é a morte de uma criança.

A morte de um filho envolve a perda dos sonhos e das esperanças dos pais. É como perder o futuro. De todas as perdas, a da criança, é a que produz mais efeitos diferenciais sobre a reação da família.


Walsh e McGoldrick (1998), afirmam que de todas as experiências humanas, a morte coloca os desafios mais dolorosos para as famílias. Especialmente, as crianças, desempenham papéis fundamentais na família e suas mortes perturbam todo o equilíbrio e sistema familiar.


O processo de luto, destaca Kovács (1992), evoca sentimentos fortes e, por vezes, ambivalentes necessitando de tempo e espaço para a sua elaboração. A ocorrência da perda de uma pessoa significativa tem uma potencialidade intensa de desorganização, as ações do cotidiano ficam tingidas por esta situação. E assim, com a morte de um filho, o potencial complicador do luto, fica ainda mais evidente ao risco psíquico.

O luto familiar não surge em seguida à morte do filho, mas tende a apresentar-se continuamente frente às perdas e dores inerentes ao tratamento oncológico. Um processo que acompanha a trilha do tratamento, angustiando, antecipando e vivendo, por vezes, na iminência da morte do filho


O luto, para a grande maioria das famílias, tem início no momento em que o diagnóstico é comunicado. Ao longo do tratamento são observadas reações de luto, tais como: sensação de entorpecimento, irritação, fadiga, descrença, períodos de apatia alternados com atividade intensa e agitação, entre outros.


A desorganização emocional do sistema familiar também é um sintoma comum. Muitos pais apresentam grande dificuldade em absorver as informações passadas pela equipe de cuidados. De forma ansiosa tentam entender o que se passa com o filho, porém, a dificuldade de concentração e o empobrecimento da atenção e foco faz com que no minuto seguinte, grande parte do que foi dito seja esquecido, podendo prejudicar a comunicação com os demais membros da família e, em alguns casos, recebendo a cobrança por notícias.


A fragilidade e vulnerabilidade emocional de um dos progenitores é ponto a ser considerado no trabalho com famílias enlutadas. O luto antecipatório familiar deve funcionar como um alerta sobre os complicadores do processo de luto. A percepção e atenção de como as perdas ao longo do tratamento estão sendo vividas antes da morte, a expressão de sentimentos ambivalentes e de culpa que permeiam o vínculo e o cuidado com a criança, são pontos fundamentais a serem considerados e cuidados, junto aos pais que se encontram com seus filhos em iminência de morte. A dor de quem sobrevive a uma perda tão significativa como a de um filho, pode ser insuportável, desestruturante e avassaladora para o funcionamento psíquico, sendo fundamental a atenção a todas as expressões e intensidades do pesar.


Importante considerar dentre os membros das famílias, os irmãos, os filhos sobreviventes. Estes são profundamente afetados pela perda e morte do irmão doente. Bowlby (2004), ressalta que grande parte das perturbações observadas entre os filhos sobreviventes resulta mais das modificações no comportamento dos pais com relação a eles do que de qualquer efeito direto que a morte pode ter exercido sobre as próprias crianças.

Pais enlutados apresentam dificuldades em seu processo de vinculação, disponibilidade afetiva e ambivalência no cuidado dos filhos saudáveis. Dependendo da idade que estes se encontram, profundos registros e marcas psíquicas se originarão. Um cuidado esvaziado, apático, sem tom amoroso, implica consequências emocionais futuras.

Pensando a família enquanto unidade de cuidado, apontamos as tradições e ritos familiares, próprios e específicos de cada configuração familiar, como potência elaborativa e de grande valia para os membros enlutados. O ritual autoriza o sofrimento, favorece e facilita a sua expressão, marca a vida de quem morreu, honrando sua história. A possibilidade de ritualizar ajuda a família na busca de sentido para a sua perda. O ritual, portanto, é promotor de equilíbrio interno.


Vale a ressalva que em famílias grandes ou pequenas, a perda nunca é coletiva, mas individual. Isso quer dizer que a perda de um filho ressoa de forma singular em cada progenitor, em cada irmão, em cada tio ou tio, em cada avô ou avó. Perde-se uma criança na subjetividade de cada membro da família. Essa criança ocupa um lugar único para cada um. Portanto, a expressão do luto, bem como a duração do processo, irá ocorrer a partir do rompimento do laço afetivo que existia em cada uma dessas relações. 


Hoje, acredita-se na orientação do trabalho do luto a partir da busca de reconstrução de significado. Falamos na possibilidade do encontro de sentido e de significado na vida do sobrevivente. Pensando à família enlutada, em sua reconfiguração, reordenação e readaptação sem o filho, faz-se mister a busca deste sentido. Seus membros, profundamente enlutados, terão que reconstruir uma identidade, idealmente, junto de pessoas significativas, a partir de um enfrentamento assimétrico, oscilante entre luto e dor e restauração e refazimento. Nesse vai e vem, entre dor e restauração, nesse contínuo de dinâmica subjetiva e afetiva, é possível ocorrer a construção de significado e elaboração do luto. Dessa forma e ao seu tempo, o trabalho de luto pode acontecer. A família pode ir se refazendo, apaziguando a ausência, transformando a dor em memória, tornando o amor e a saudade em laço continuado, em afeto permanente.




Referências Bibliográficas:



BOWLBY,J. Perda: tristeza e depressão. 3ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

KOVÁCS, M.J. Morte e desenvolvimento humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.

WALSH,F,; MCGOLDRICK, M; Morte na família: sobrevivendo às perdas. Porto Alegre: ArtMed,1998;


terça-feira, 11 de junho de 2013


O Instituto Entrelaços está abrindo mais duas turmas para o curso
"Cuidados Paliativos - UMA INTRODUÇÃO",
Para participar, solicite seu formulário de inscrição através do e-mail comunicacao@institutoentrelacos.com e envie preenchido até o dia 30/06/2013.

São apenas 8 vagas por turma. Inscreva-se já!

sexta-feira, 31 de maio de 2013


NÃO EXISTEM PACIENTES TERMINAIS

As palavras portam sentidos que mal nos damos conta. Outras vezes, possuem marcas de um tempo que já se foi. Ainda existem pessoas que “discam” um número ao usar o telefone quando na verdade os telefones possuem apenas teclas a algum tempo.

Mas esse texto não irá seguir nenhum caminho obscuro da etimologia para surpreender o leitor com atavismos, alguns até cômicos. Quero ressaltar outras formas de obscuridade. Por exemplo, raramente os pacientes morrem nos hospitais. Eles vão a óbito. Aliás, todos nós sairemos de um hospital quando internados, e o ato de sair é alta hospitalar. Existe até “alta por óbito”.

No reino das precisões técnicas, dominado pelas terminologias que recortam a realidade e nomeiam tudo, torna-se necessário dizer as coisas de forma que só os iniciados saibam os sentidos mais “verdadeiros”. Dessa forma, quem está morrendo de fato não está morrendo. Chamar essa pessoa de moribunda parece uma  ofensa tão dissonante quanto a própria palavra. Temos que chamar quem está morrendo de “paciente terminal”.

Mas o que é o paciente terminal? Seria alguém “irrecuperável”, aquele que apresenta uma situação clínica onde as medidas que possibilitem o resgate das condições de saúde são inócuas e/ou inexistentes. Além disso, a proximidade da morte se caracteriza como inevitável e relativamente previsível.

Antes de conhecer a expressão técnica, achava que “terminais” fossem os terminais de petróleo ou então os terminais de transporte urbano. Aqui mesmo em Fortaleza existem muitos. Esse termo está intimamente relacionado ao transporte, pois existem os terminais aéreos como sinônimos de aeroportos.

Mas esperem. Como posso dizer que uma pessoa seja “terminal” posto que isso não me diferencia dela? Sim, pois se terminalidade refere-se à condição de ser mortal, então sou igual ao paciente que está morrendo. Quem usa o rótulo sobre o outro na verdade pode se acondicionar com certo desconforto a terminologia que utiliza.  Mais, mesmo no âmbito da terminologia, um dia o rótulo lhe cairá adequadamente pois a saúde é um bem que escasseia com o passar do tempo.

Queria dividir com vocês uma história que ocorreu bem próximo de mim. Uma senhora de 93 anos vítima de um extenso AVC, matriarca de sua família, estava agonizando na UTI de um bom hospital numa cidade média  no interior de São Paulo. Tão amada quanto temida, ela era cercada pelos cuidados dos filhos até o fim. Mesmo num ambiente tão restrito quanto uma UTI, um dos filhos usava as prerrogativas de ser médico para ter seu salvo conduto para aquele reino tão fechado. E junto com ele, um a um, achegavam-se outros membros da família, seja para uma oração, seja para um breve olhar sobre o fim que parecia se aproximar rapidamente.

A maioria dos familiares morava numa cidade distante a 45 minutos de carro onde estava o hospital. Quase todos os dias eles se deslocavam para ver a “senhora terminal”, sim, ela era terminal já que estava cumprindo os requisitos técnicos para receber o rótulo. Num desses dias de ida e volta, o filho médico, alguém que se cuidava muito bem, que usava dos segredos da medicina para uma vida saudável, que tinha boa dieta e fazia atividade física rotineiramente, que no alto dos seus 56 anos parecia ter pelo menos 10 anos a menos; perde a direção do automóvel, com chuva fina e pista escorregadia, atravessa a outra mão da estrada e bate de frente num caminhão. Com ele morrem a mulher, um filho e dois netos.

Um  terrível clima de comoção tomou conta de todos como sempre acontece quando a morte resolve ser muito ativa em sua terrível colheita. Toda a família compareceu aos rituais fúnebres, todos atônitos, todos não sabendo direito o que fazer com tanta dor e como buscar energia para conforta-se uns aos outros. Todos compareceram, menos a matriarca de 93 anos, nossa paciente terminal que sobreviveu por mais 7 dias.

Ninguém deveria ser “paciente terminal”. Como nossa triste história conta, o rótulo é tecnicamente um tanto impreciso. TODOS SOMOS TERMINAIS, no sentido amplo da expressão já que todos morreremos. Mas usar o termo no campo da saúde parece ser uma espécie de licença para se matar mais depressa, seja de abandono, seja de descuido, seja pelo afã de se querer “salvar” expondo a pessoa aos mais terríveis rituais de tortura disfarçados em procedimentos médicos.

“Paciente Terminal” é a expressão que acompanha a frase infeliz, quando dizemos que “nada mais pode ser feito”. Chamar alguém de terminal acoberta o desconhecimento de que existem possibilidades de se continuar vivendo com intensidade e alegria. É o momento de tentar livrar-se das dores para podermos usufruir ainda mais algum tempo das belezas desse mundo,  e preparar-se para tudo que for necessário para a partida...não tão rápida que não permita realizar ainda alguns desejos; e nem tão lenta que permita a gente se cansar da vida.

É por isso que devemos substituir a expressão “terminal” para “paciente em vulnerabilidade extrema”. Todos somos vulneráveis à dor, ao sofrimento e à morte. Mas existem aqueles que vivem o extremo da vulnerabilidade. Para que um dia cuidem adequadamente de nós quando chegarmos a esse limite, é necessário mudar radicalmente a forma como lidamos com aqueles que oficialmente estão morrendo. Digo “oficialmente” porque, sabemos todos nós, nossa vulnerabilidade pode se tornar extrema a qualquer momento.

por Erasmo Ruiz


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Para Francisco, (autoria  Cristiana Guerra ; editora: ARX)



Esse é O livro, com O maiúsculo e em negrito mesmo. Livro-relato, livro-vivência, livro-denúncia, livro escancarado da dor de uma mulher, grávida do seu primeiro filho - Francisco - e de seu luto pela perda do marido, falecido subitamente depois de um ataque cardíaco fulminante.
Ela começou a sua escrita elaborativa criando um blog. Fez sucesso, muito sucesso. Foi editado e virou um livro, que não dá para parar de ler. Passamos a acompanhar, a viver, a sentir, junto com Cristiana.
O relato é tão real que passamos também a sentir saudades do seu companheiro. Pesar por ele não estar mais aqui. 
Sentimos, especialmente, solidariedade à Francisco, que não irá conhecer esse pai, descrito tão amorosamente, por essa mãe, tão especial, potente e tão dolorida.
É relato de luto, de despedida, de pranto, de desamparo.
É relato da perda de um ser amado, do único sonho imaginado, do plano perfeito que seria vivido, mas que não foi.

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19 de setembro de 2007.

O nome da dor.

Eu tive pai e mãe. E os perdi cedo, conheço essa dor. Para mim, a perda do seu pai dói muito diferente. Ele não era de onde eu vinha. Era para onde eu ia.

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Cliquem no link abaixo e conheçam o blog criado pela autora do livro. 

http://parafrancisco.blogspot.com.br/