segunda-feira, 3 de março de 2014






Esse vídeo andou circulando pelas redes sociais. Acho ele tão bonitinho...
Faz pensar no tempo de cada um e no respeito a esse tempo.
Vendo esse curto vídeo me veio a cabeça uma questão comum no campo dos lutos e das perdas. Não existe um tempo demarcado para o luto. Não existe o tempo certo para a dor ir embora, para desarrumar o quarto de um filho, para doar as roupas de uma saudosa esposa, para se desfazer do escritório daquele pai tão admirado.
A dor não funciona na lógica temporal e cronológica que os relógios e calendários funcionam.
A lógica da dor é do amor investido, do cuidado disponibilizado, da história vivida, do vínculo estabelecido.
A intensidade da dor, a paralisação da vida, o empobrecimento das atividades e a perda da qualidade de vida, especialmente, a emocional, o isolamento social, entre outros sintomas, é o que nos dá parâmetros para identificar os fatores de risco e prognósticos mais sérios sobre alguns processos de luto. Isso nada tem a ver com o tempo.
Use o seu tempo, o tempo da sua dor, seja ele qual for.
Não permita que outras pessoas digam se está certo ou errado. A perda é sua, a ausência permanente de quem se foi será na sua vida e não na vida daquele que lhe "aconselha" a seguir em frente (uma das frases mais equivocadas que pessoas enlutadas escutam).
Suprimir a dor para tentar seguir em frente faz doer mais. Afastar a dor em vez de vivê-la, só alimenta a sua força.
Seja o seu tempo, o tempo da sua dor.


(Erika Pallottino - Instituto Entrelaços)

sábado, 1 de março de 2014



Mobilizada por um atendimento clínico de luto venho estudando muito sobre esse caso.
Tento entender o que faz eco neste encontro terapêutico. Encontro esse, cheio de potência.
Por que certos atendimentos mobilizam mais que outros? Isso acontece sim na clínica, e é sempre importante a nossa percepção do que se passa. Fazemos análise e supervisão (eu faço as duas) para que os nossos pontos cegos (sim, todos nós temos) não nos deixe sem escuta.. Mas ainda que se tenha cuidado e amparo técnico, as vezes acontece.
Lendo Marialzira Perestrello, em seu sensível livro, "Cartas a um jovem psicanalista" e estudando sobre os encontros terapêuticos, paro numa frase cheia de sentido.
Achei interessante transcrevê-la aqui:
"O objeto de estudo é o Nós - aquela relação que na sala de análise se estabeleceu entre duas pessoas, até então desconhecidas."
Não sou psicanalista mas leio psicanálise e o encontro, também potente, com esse livro, tem me ajudado bastante neste caso difícil.
O Nós pode ser transformador, para quem escuta e para aquele que discursa.

(Erika Pallottino - Instituto Entrelaços)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014


Porque a vida insiste em buscar sentido para o que fica perdido. 
Sentimos angústia pelo caminho da vida e frente ao mar de sensações que algumas perdas nos levam enfrentar, nos damos conta que podemos ser mais do que imaginamos poder.
A vida, circular e dinâmica, apronta com a nossa felicidade, com a nossa estabilidade, nos dizendo cotidianamente: "tudo muda, nada é fixo, tudo pode acontecer."
Para os inseguros, isso é de uma ameaça indescritível.
Para os seguros, a negação funciona como um importante mecanismo de defesa.
Para os que não são nem lá, nem cá, vivem a vida a cada dia, vivendo o hoje mesmo quando ele parece ser sem sentido. A busca de sentido acontece no presente, no vivido do agora.
Perdemos sempre, toda hora, todos os dias, o tempo todo.
Vivemos e perdemos.
Sentimos e perdemos.
Amamos e nos perdemos dentro do amor.
Que dor pode ser o amor...
Que dor perder o amor...
Que dor sobreviver ao amor...
E nesse dinamismo cíclico e intenso, vamos nos conhecendo, nos surpreendendo e entendendo que nada é, tudo está.
Foco, força e fé - armas importantes, instrumentos protetores. 

(Erika Pallottino - Instituto Entrelaços)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Filha querida: João Candido cria diário

Diário em rede social faz 'arquelogia da saudade' e revela a grandeza do amor entre pai e filha

Foi uma tragédia que causou comoção nacional. No dia 23 de março, Maria Candida Portinari, 16 anos, linda, jovem e inteligente, neta do pintor Candido Portinari, entrou na banheira de casa, no Rio de Janeiro, e não saiu mais do banho. Um vazamento de gás a intoxicou. Foi fatal.
“Em vinte minutos, a vida de minha filha estava perdida. E a minha também”, diz hoje João Candido, pai de “Pinguinha” e único filho do grande pintor que Brodowski revelou para o mundo.

Foi muito doloroso também para Maria Edina Portinari, mãe da menina. João e Maria se uniram, então, para superar a tragédia pessoal e familiar.

Para um homem de notoriedade internacional, mentor do megaprojeto Guerra e Paz, que trouxe os painéis de Portinari de volta para o Brasil, este foi também um momento de pausa forçada.
João Candido interrompeu o trabalho de divulgação do pai e do Projeto Portinari para buscar, em todos os lugares, mas principalmente dentro de si mesmo, resquícios, mensagens e pedaços da filha ausente.

Diário aberto
É aí que entra a rede social. João Candido passou a postar no Facebook um diário que chamou de arqueologia da memória. Ou arqueologia da saudade.

Recuperou arquivos, fotos, vídeos, filmes, cartas, desenhos e lembranças da filha para postagens generosas, em que dividiu, com os amigos, mensagens, sensibilidades e declarações de Maria Candida, a sua “Pinguinha”. “Fiz isso pela necessidade de extravasar uma dor absurda, impensável”, conta ele, por telefone.

Na verdade, foi também a forma que João Candido encontrou para manter Pinguinha viva e apresentá-la a centenas de seguidores de sua página pessoal no site de relacionamentos. E, também, de sobreviver, aos 74 anos, apesar do desespero e da saudade.
Entre as mensagens que recebeu estava a de um suicida que desistiu de se matar. A morte da menina fez com que ele percebesse o valor da vida.

Repercussão
A cada postagem, dezenas de amigos e também de gente desconhecida que passou a acompanhá-lo nestes 140 dias de dor, dão o alento necessário para que ele siga.

Esses amigos virtuais postam músicas, flores.. Até dos Estados Unidos vem mensagens “in box”, um canal de comunicação fechado, com psicografias de cartas que trazem a assinatura da filha.
Professor e PHD em matemática, homem de formação racional, João ainda não tem certeza se as manifestações são legítimas.

Mas se emociona com experiências que teve ao lado de espiritualistas, entre eles o ator Carlos Vereza, em que sentiu fortemente a presença da filha. “Foi uma corrente de amor que se formou”, diz, comovido.
O lado racional, no entanto, ainda é muito forte: “Não preciso de intermediários para falar com minha filha”, diz.

Andanças
De fato, João e Maria tem buscado e encontrado Pinguinha em toda a parte. Em casa, em Madri, em Cascais e Lisboa, em Paris e também em Assis. Foram experiências fortes, relatadas no Facebook, em que sinais muito claros evocaram a presença dela.
Maria Candida está também do carro de João.
“Hoje mesmo, assim que liguei o rádio, a voz de uma criança cantava Alecrim Dourado...”
Era esta a música que Pinguinha cantava pequenininha. Alguém duvida?

Cinzas e comunhão
No dia 31 de julho, quando Maria Candida completaria 17 anos, João e Maria Portinari reuniram em casa os amigos de escola da menina.

O padre que batizou Pinguinha foi chamado para rezar uma missa na casa do condomínio em São Conrado.

Fizeram então, numa cerimônia tocante, a dispersão das cinzas de Pinguinha. Na hora da Eucaristia, João Candido, que nunca foi católico praticante, levantou-se para comungar, num impulso irresistível. A mulher o deteve: “você não pode, não fez primeira comunhão!”, lembrou Maria.

Ao que o padre respondeu: “Pode sim, venha, João Candido! Você vai fazer sua primeira comunhão agora”.

Fonte: Jornal A Cidade - Rosana Zaidan
http://goo.gl/ZdLyPw


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Casal antecipa casamento para que filho com leucemia possa participar
Menino de 2 anos já perdeu rim e médicos deram semanas de vida.
Pais terão cerimônia de casamento no próximo sábado nos EUA.

Um casal da Pensilvânia, nos Estados Unidos, resolveu antecipar em cerca de um ano seu casamento para garantir que seu filho de 2 anos que sofre de leucemia possa participar da cerimônia e fazer o papel de padrinho do pai. A cerimônia será realizada neste sábado (3).

Logan Stevenson, de 2 anos, é filho de Sean Stevenson e Christine Swidorsky. Em tratamento contra a leucemia e outras complicações, o menino já teve um dos rins retirados e tem uma massa no remanescente.

Na semana passada, médicos disseram que o menino teria mais duas ou três semanas de vida. “Queremos Logan nas nossas fotografias de família, e queremos que ele veja seu pai e sua mãe se casando”, afirmou Christine.



Fonte: G1
01/08/2013